Perfeição ou cobrança interna?
Afinal, será que estamos realmente sendo nós mesmos ou apenas alguém que agrada a todos? Que se cobra ao máximo para ser perfeito ou perfeita?
Hoje quero falar um pouco sobre a cobrança interna excessiva que carregamos e que, muitas vezes, não nos permite ser autênticos, vulneráveis e, principalmente, humanos, seres que erram, e erram muito, quase o tempo todo. Afinal de contas, não viemos com um manual de instruções, não é mesmo?
Será que essa cobrança excessiva nos torna mais intolerantes aos nossos próprios erros e também aos dos outros? É uma reflexão importante. Aqui, quero propor um olhar para o quanto nós exigimos ocupar espaços que nem sempre são confortáveis para nós. Espaços que, muitas vezes, não escolhemos verdadeiramente, mas nos sentimos obrigados a manter. Como se tivéssemos que ser impecáveis o tempo todo. Como se errar, frustrar-se ou sentir desconforto não fossem permitidos. Então, nos esforçamos ao máximo. Entregamos 101%.
Como identificar quando essa cobrança excessiva está falando mais alto? Um dos sinais pode ser a autocrítica excessiva, é aquela voz que não permite falhas, que exige sempre mais e que acredita que nunca é o suficiente. Mesmo diante de todo o esforço realizado, ainda assim você sente que precisa fazer mais. E, com isso, surge o esgotamento, principalmente emocional.
Sentir-se esgotado com frequência, sentir que não pode descansar, que não merece pausar ou entregar “menos”, tudo isso são indícios de que a cobrança excessiva está dominando. E por que chegamos ao esgotamento? Porque não nos permitimos errar, ceder ou simplesmente não dar conta.
Aqui não estou dizendo que não devemos nos dedicar. Ter autocrítica pode ser saudável, sim. Mas, quando ela ultrapassa os limites e começa a gerar ansiedade, desconforto e até adoecimento, ela deixa de ser funcional. A cobrança excessiva pode minar a autoestima e nos fazer acreditar que não somos bons o bastante.
Mas, a que custo? Quando colocamos a perfeição como meta, esquecemos que somos humanos, não máquinas. E, mesmo que fôssemos máquinas, até elas falham e quebram, não é? Por que, então, exigimos tanto de nós? Errar não nos diminui, pelo contrário, nos aproxima daquilo que é real e vivo: nossa humanidade.
Aceitar a própria vulnerabilidade também nos ajuda a aceitar a dos outros. Sentir tristeza, medo, insegurança, faz parte da existência. Negar esses sentimentos em nome de uma suposta estabilidade pode parecer proteção, mas, na prática, é uma prisão invisível.
É claro que nem sempre faremos o que queremos, mas podemos nos permitir sermos nós mesmos, com nossos sentimentos, medos, anseios e frustrações.
Na psicologia humanista, aprendemos sobre autenticidade. Ser autêntico não é ser perfeito, é ser inteiro, com falhas, com erros, com histórias que nem sempre se encaixam nas expectativas alheias. É um convite para olhar para dentro, ouvir a própria voz e compreender que ela importa. E importa muito.
E se, ao invés de buscarmos perfeição, buscássemos aceitação? Aceitar quem somos hoje, com nossas imperfeições e limites, pode ser o primeiro passo para uma vida mais leve, mais real. Porque, no fundo, crescer não é se tornar perfeito. É se tornar cada vez mais humano.

